Reservada à porta, cuidadosa no centro, livre lá no fundo
Quem te conhece pela primeira vez costuma encontrar uma mulher um pouco reservada e um pouco fora do comum. Simpática, mas difícil de decifrar. És tu quem faz a pergunta inesperada e certeira numa festa, ou quem fica num canto da sala a ver como tudo funciona. Isso é o teu ascendente em Aquário. É a tua porta de entrada, a primeira coisa por onde os outros passam.
«O que dizem sobre mim o meu Sol, a minha Lua e o meu ascendente, todos juntos?» «Todos juntos» é a maneira certa de perguntar, porque os três não estão simplesmente lado a lado. Passam o dia inteiro a falar uns com os outros.
O Sol estava em Virgem no dia em que nasceste. É isso que te move. Reparas no que está meio centímetro fora do sítio e corrige-lo em silêncio, antes que mais alguém dê por isso. Ser útil é o que dá sentido aos teus dias, e uma boa lista consegue acalmar-te mais depressa do que a maior parte das pessoas.
Depois há a Lua em Aquário, a parte que mostra aquilo de que precisas para te sentires segura. Para ti, segurança é espaço. Espaço para pensares pela tua cabeça, um pouco de distância, a liberdade de não seres igual a toda a gente. Quando alguma coisa chega perto demais ou pesa demais, uma parte de ti dá um passo atrás e observa tudo de um lugar calmo e claro.
E é aqui que os três entram em tensão. Com Aquário tanto à porta como lá no fundo, podes parecer distante, até a ti própria. Entretanto, a parte de Virgem trabalha sem parar, a cuidar dos outros com pormenores que ninguém pediu e a dar por cada pequena falha sua. Uma voz em ti diz: «Devia ter previsto isto.» Por fora, as pessoas veem uma mulher serena. Por dentro, há alguém a verificar, a ajustar, a preocupar-se, em silêncio, em fazer tudo bem.
Talvez a distância seja o sítio onde todo esse cuidado vai descansar. Dar um passo atrás deixa-te sentir as coisas sem que ninguém te veja a senti-las. Se quiseres, fecha os olhos, deixa as mãos pousadas com as palmas para baixo e deixa o corpo aberto. Sente o estômago por dentro, com atenção, o sítio onde mora a vontade de fazer tudo bem. Se quiseres parar, paras.
Juntos, não fazem de ti três mulheres diferentes. És uma só mulher que repara em tudo, que precisa de espaço para o sentir e que se importa muito mais do que a porta de entrada deixa ver.
