Aquela que sente o ambiente antes de alguém abrir a boca
«O que é que o meu mapa astral diz sobre quem eu sou de verdade?» É uma pergunta e tanto, e provavelmente estás à espera de uma lista. Bondosa, intuitiva, sonhadora, sensível. Já leste essas listas. Batem certo, e deixam-te exatamente onde estavas.
Por isso, vamos olhar para uma coisa só, em vez de dez. Nasceste com o Sol, a Lua e o ascendente todos em Peixes, e Peixes é o signo em que a fronteira entre ti e tudo o resto é mais ténue. Entras numa cozinha, numa reunião, num jantar de família, e sabes como está o ambiente antes de alguém dizer uma palavra. Alguém está magoado, alguém está a fingir, alguém precisa que a conversa se desvie de certo assunto. Sentes isso e já te estás a ajustar.
Passas a ser aquilo de que o ambiente precisa. Mais suave aqui, mais divertida ali, calada quando o silêncio ajuda. Acontece tão depressa que nunca chegas a decidir. Mais tarde, sozinha no carro ou ao lava-loiça, surge uma pergunta que não fazes em voz alta. A tua cabeça diz: «Qual daquelas era eu?»
É aí que vive a tua pergunta. Não nasce de te faltar um «eu». Nasce de passares a maior parte do dia dentro do clima dos outros. Será que tens andado à procura de quem és nas formas que vais tomando, quando és tu quem as sente todas?
Repara no que acontece quando alguém se vira para ti e te pergunta, sem rodeios: «O que é que tu queres?» Dá-te uma pequena branca. Qualquer coisa no estômago amolece e fica um pouco oca, e a tua cabeça apressa-se a preencher esse vazio com o que deixar toda a gente à vontade. Se quiseres, fecha os olhos por um momento, deixa as mãos pousadas com as palmas para baixo e sente esse sítio oco por dentro. Não tens de lhe dar um nome. Se quiseres parar, paras.
O teu mapa não te dá uma personalidade a que tenhas de corresponder. Mostra a forma como vais ao encontro do mundo: toda aberta, a deixar entrar tudo. Aquilo que és de verdade não está enterrado algures por trás de todas essas formas. És tu quem repara nelas, e estiveste sempre aí.
