Porque é que o amor também precisa de uma porta aberta
«Porque é que preciso de tanto espaço, até com as pessoas que amo?» Há uma culpa escondida nesta pergunta. Como se precisar de espaço fosse prova de que amas menos. Como se uma mulher melhor quisesse estar sempre por perto.
Num mapa, a Lua é a parte que mostra como sentes e aquilo de que precisas para te sentires segura. Não o que preferias, nem o que fica bem, mas aquilo de que uma parte de ti vai à procura quando tudo fica perto demais. Nasceste com a Lua em Sagitário e, para uma Lua em Sagitário, a segurança tem a forma de espaço aberto: uma estrada, uma porta que não está fechada à chave, a simples certeza de que te podes mexer.
Por isso, quando os que amas enchem a casa, a noite, os planos do fim de semana, qualquer coisa em ti começa a procurar a saída. Não é por causa deles. Tu sabes disso. A tua cabeça diz: «O que é que se passa comigo? Eles não fizeram nada.» Depois és seca com eles, ou vais dar uma grande volta de carro, ou de repente precisas de uma hora sozinha com um livro, e a culpa vem logo atrás.
O Sol também estava em Sagitário no dia em que nasceste, por isso a vontade de correr mundo não é uma fase passageira. Está bem perto do teu centro. A parte de ti que brilha e a parte de ti que sente querem as duas o horizonte à vista.
E se esse espaço não for, afinal, distância em relação a eles? E se for o espaço de que precisas para sentir o que sentes, antes que o humor de outra pessoa ocupe o lugar do teu? Essa sensação de sufoco tem um sítio no corpo. Para algumas mulheres é a garganta, para outras é o peito, uma pressão como a de uma sala com gente a mais.
Se quiseres, quando essa sensação chegar, fecha os olhos, deixa as mãos pousadas com as palmas para baixo e sente essa pressão por dentro. Não a mandes embora nem a expliques. Fica só um momento com ela, com atenção. Se quiseres parar, paras.
Precisar de espaço nunca foi o mesmo que amar menos. Para ti, a porta aberta pode fazer parte da maneira como ficas.
