Porque é que te aproximas sempre de quem se afasta
Aproximas-te de quem não se aproxima de ti, e uma parte de ti vê-te a fazê-lo. Primeiro vem a vontade. Depois, o silêncio onde devia estar a resposta. Depois, a tua cabeça põe-se a dar voltas ao que essa pessoa quis dizer, ao que te escapou, ao que devias ter feito de outra maneira.
A pergunta que escolheste pede um «porquê». É a palavra preferida da cabeça, porque um «porquê» dá para remoer sem fim, na cama à noite, no duche, a meio de uma conversa com outra pessoa. Se tens tempo para pensar, tens o mesmo tempo para sentir. As duas coisas quase nunca acontecem juntas, e o pensamento é o que corre mais depressa.
Vai então ao sítio onde essa atração vive de facto. Deixa de lado a história sobre essa pessoa e procura o primeiro segundo em que te sentes atraída. Qualquer coisa aquece no peito e aperta ao mesmo tempo. A tua cabeça diz: «Esta pessoa é importante. Só precisa de tempo.» Será que o aperto que lês como «esta pessoa é importante» é só vontade, sem ninguém em quem pousar?
Há outra metade nesta história que nada tem a ver com essa pessoa. Nasceste com a Lua em Aquário, por isso, quando um sentimento chega perto demais, recuas para dentro de ti, e alguém que já tem um pé fora da porta dá-te espaço de sobra para isso. Alguém que te escolhe por inteiro fica tão perto que esse recuo deixa de ter para onde ir.
Uma dor conhecida parece mais segura do que uma felicidade que nunca experimentaste. A dor tem uma forma que conheces: a espera, o adivinhar, o esforço para seres escolhida. Isso sabes fazer de olhos fechados. Uma pessoa que simplesmente fica pede-te uma coisa que talvez nunca tenhas praticado: sentir enquanto ela está ali.
Não tens de descobrir o que há de errado contigo. Nada disto tem de ser resolvido a uma secretária. Faz uma pausa de um segundo e repara que a tua atenção já vai a caminho da explicação seguinte. Esse movimento é a cabeça a fazer o que faz quando há um sentimento por perto.
