O único nome que falta na tua lista
«Porque é que me custa tanto querer alguma coisa para mim no Natal?» Provavelmente fizeste esta pergunta a meio de uma lista. Presentes para os miúdos, qualquer coisa para a tua irmã, para a vizinha que traz sempre bolachas. Algures lá para o fundo há uma linha que devia ser tua, e fica em branco.
Nasceste com o Sol em Sagitário, por isso há um coração grande e generoso no centro de ti. Gostas de pôr as coisas a andar. A árvore fica montada, a mesa enche-se, as pessoas riem-se, e uma parte de ti acende-se só de ver. Dar não é um fardo para ti. É a tua maneira de amar.
Com a Lua em Carneiro, os teus sentimentos andam depressa e querem agir logo. Quando aparece uma vontade tua, mal tem um segundo antes de outra coisa mais rápida se pôr à frente dela. A tua cabeça diz: «Não preciso de nada. Dá-lhes o que pediram.» E tu já estás na coisa seguinte.
Será que querer alguma coisa para ti parece mais lento do que dar, e tu nunca tiveste muita paciência para o que é lento? Dar tem uma direção. Querer pede-te que pares e escutes uma coisa pequena e insegura dentro de ti. É outro tipo de coragem.
Se quiseres, numa destas noites, quando a casa finalmente estiver em silêncio, senta-te um minuto. Fecha os olhos, deixa as mãos pousadas com as palmas para baixo e deixa o corpo abrir-se. Pergunta-te, sem responder com palavras: o que é que seria uma prenda para mim este ano? Depois sente onde é que alguma coisa se mexe, no peito, no estômago, na garganta, por dentro, com atenção. Se quiseres parar, paras.
O que aparecer não precisa de vir embrulhado. Pode ser uma hora. Pode ser um não que andas a adiar. Pode ser só a permissão para quereres.
Há muito tempo que escreves o nome de toda a gente nessa lista. O teu também pode lá estar.
